terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eu vi o tempo

Eu vi o tempo... vi o tempo passar... mesmo tão novo e cheio de sonhos, aqui e ali eu via o tempo correr e levar
Os sonhos, as dores, as lembranças e os amores...
Por vezes, vi o tempo passar tão depressa que nem parecia tempo, parecia mergulho de olhos abertos em mares revoltos, parecia dia chuvoso sem capa nem sombra, apenas o frio.
Eu vi o tempo passar nos olhos de meu pai e no rosto de minha mãe... vi meus irmãos tomarem personalidade... Todos eles... para o bem e para o mal...
Eu vi o sofrimento aparecer do nada, ficar uma eternidade e ir embora sem ao menos dizer que passou, da mesma forma como diversas vezes voltou...
Eu vi amor... nos olhos de quem me amou. Mas poucas vezes reconheci em mim a essência de tal sentimento.
Eu vi presteza, eu vi tristeza, eu vi rancor... e isso tudo foi a inveja quem começou.
Eu vi estrelas, duas na verdade, em um olhar...
Eu vi o infinito particular de um sorriso...
Eu  vi que existe paraíso, e ele mora em um abraço, mas poucas vezes quis saber disso...
Eu vi a vida como tantos veem, mas poucos tocam ou sentem assim como me dediquei
Eu vi todos os sentimentos que meu vinte e poucos anos permitiram, inclusive a morte, não só de corpo como de alma...
Eu vi que algumas pessoas personificam a fênix, morrem e voltam, mas voltam totalmente diferentes, novas e por isso chorei mortes de sorrisos que não mais existem.
Eu vi quedas... as minhas... as suas... as nossas...
Eu vi e aprendi a me levantar na certeza de novos caminhos para trilhar...
Eu vi São Jorge abençoar um filho com seu nome por inúmeras vigésimas opções...
Eu senti meus olhos queimarem e vi tudo em chamas quando a dor invade...
Eu não vi o futuro... mas estou de olho em cada passo do presente... eu vi o tempo... assim lento, aqui perto da gente.
Eu vi o tempo... sendo e podendo por fora e por dentro.

(Jota Giordano)

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